Dúvidas frequentes de ortografia

Eis algumas dicas para melhorar a sua ortografia.

1. A cerca # Acerca # Há cerca # Cerca de

a) A cerca significa a uma distância de: Sobradinho fica a cerca de 13km de Brasília.
b) Acerca equivale a sobre, a respeito de: falamos acerca de português.
c) Há cerca equivale a existe ou faz aproximadamente: há cerca de dez alunos na sala; não o vejo há cerca de dez anos.
d) Cerca de é usado para quantidade aproximada: cerca de dez alunos se revoltaram.
Observação: quando se sabe o número exato, dispensa-se o cerca de: dez professores assinaram o projeto; na sala havia 15 professores.

2. Ao encontro de # De encontro a

a) Ao encontro de significa em direção a: isso vem ao encontro de meu desejo.
b) De encontro a significa contra alguma coisa: sua ideia veio de encontro à minha.

3. Afim # A fim

a) Afim significa semelhante, parecido: temos temperamentos afins
b) A fim indica finalidade e é seguido da preposição “de”: estamos a fim de estudar.

4. Aja # Haja

a) Aja é o verbo agir: aja conforme a lei
b) Haja é o verbo haver (igual a existir): haja o que houver não a deixarei.

5. Ao nível de # Em nível de

a) Ao nível de significa à altura de: a cidade fica ao nível do mar.
b) Em nível de equivale no âmbito de: em nível de gerência, a ordem é sumária.
Atenção: não existe a expressão a nível de.

6. A par # Ao par

a) A par quer dizer estar por dentro, ciente: estou a par do assunto.
b) Ao par aquivale ao lado, jundo de: uma e outra não estão ao par.

7. A princípio # Em princípio

a) A princípio significa no começo, inicialmente: a princípio as ideias são nebulosas.
b) Em princípio significa em tese, em termos: em princípio, nada contra.

8. Ao invés # Em vez de

a) Ao invés de significa ao contrário de (oposição): ao invés de falar, calou.
b) Em vez de equivale a em lugar de (substituição): em vez de água, tomou suco.

9. Quando usar há ou a?
a) Usa-se o a na indicação de tempo futuro: daqui a pouco tempo sairemos.
b) é o verbo haver ou fazer (faz), indicando tempo passado: há bons livros; não o vejo há anos

10. À medida que # Na medida em que

a) À medida que significa à proporção que: eram atendidos à medida que chegavam.
b) Na medida em que equivale no momento, no instante: serás curado na medida em que tomares o remédio.

11. Aonde # Onde

a) Aonde acompanha verbos que dão ideia de movimento (ir, voltar, chegar, dirigir-se): aonde você vai? Aonde você voltará?
b) Onde é empregado sem a ideia de movimento: onde estão os livros?
Atenção: de onde indica procedência: de onde você saiu? Donde surgiu?

12. Abaixo assinado (sem hífen) # Abaixo-assinado

a) Abaixo assinado (sem hífen) indica cada pessoa que assina um abaixo-assinado: os alunos abaixo assinados reivindicam aulas normais.
b) Abaixo-assinado é o documento: o abaixo-assinado foi encaminhado ao diretor.

13. Entre # Dentre

a) Use entre quando o verbo não exigir a preposição de: entre todos, sou o mais novo.
b) Dentre significa “do meio de”. É a união da preposição “de + entre” (basta ver a regência do verbo): Jesus ressuscitou dentre os mortos (ressuscitou de); os vencedores saíram dentre os primeiros inscritos (saíram de).

14. De mais # Demais

a) De mais apresenta o sentido oposto a de menos (= após um substantivo ou pronome): há homens de menos para mulheres de mais.
b) Demais é advérbio de intensidade (= muito) ou pronome indefinido (= outros): André come demais (= come muito: advérbio); uns vaiavam, os demais aplaudiam. (outros = pronome).

15. Em face de # Face a

a) Em face de significa em frente a, perante: em face de tantas opiniões, desisto da proposta.
b) Face a é neologismo e não deve ser utilizado; a expressão face o não existe.

16. Mal # Mau

a) Mal é contrário de bem: ele procedeu mal ou bem. Mal pode também significar “doença, moléstia”: o mal da sociedade moderna é a violência urbana.
b) Mau é contrário de bom: é um aluno mau ou bom.

17. Mas # Mais # Más

a) Mas é conjunção adversativa e equivale a porém, todavia: eles andam muito, mas não cansam.
b) Mais é advérbio de intensidade ou pode dar a ideia de adição (dica: basta trocar por menos): ela é a mais (menos) simpática da sala; dois mais (menos) dois são sempre quatro?
Atenção: mais grande e mais bom (e contrários) são usados em comparações que envolvem características de uma mesma pessoa: ele é mais grande que pequeno; o aluno é mais mau que bom. Maior e melhor (e contrário) são comparativos de superioridade: ela é maior que sua irmã.
c) Más é adjetivo em função de predicativo ou de adjunto adnominal: pessoas más não duram muito; e ela é má!

18. Senão # Se não

a) Senão significa caso contrário, a não ser: ela me chateou, senão nós sairíamos; não farei outra coisa, senão terminar a tarefa.
b) Se não equivale por acaso, condição: se não chover, sairemos.

19. Trás ou Atrás # Traz

a) Trás ou atrás pode significar oposto, anterior ou depois: o posto fica atrás daquele prédio; ele saiu pela porta de trás.
b) Traz é o verbo trazer: ela traz o filho no colo.

20. Todo + artigo # Todo sem artigo

a) Todo + artigo equivale a inteiro: todo o DF se mobiliza para combater a corrupção.
b) Todo sem artigo equivale a qualquer: todo político é passível de corrupção.
Atenção!
1. O pronome todos sempre exige o artigo antes de substantivo: conheço todos os jogadores daquele time de vôlei.
2. Quando surgir um numeral após a palavra “todos” e não for seguido de um substantivo, não se usa artigo: todos cinco foram expulsos da escola.

21. Tão pouco # Tampouco

a) Tão pouco é muito pouco: tenho economizado tão pouco ultimamente.
b) Tampouco significa também não ou nem: não foram à escola tampouco ao jogo.

Aguarde novas dicas… “a prática é o melhor dos exercícios”.

14 de junho de 2010 por Prof. Dr. Josué Mendes | 1 comentário »

Calebe, meu filho…

Um filho
Um amigo
Uma vida

Filho amigo da vida
amigo da vida do filho
vida do filho amigo

Assim foi concebido
este que hoje
é grande amigo do pai

Como foram amigos na história
Calebe e Josué
Pai e filho
Filho pai
amigos de verdade

outono (16/XI/08)

3 de maio de 2010 por Prof. Dr. Josué Mendes | Nenhum comentário »

Depois dos 40, cada um é responsável pela cara que tem…

Parece frase já dita por alguém. Eu a (re)afirmo.
Aos que têm menos de 40 anos, pode não lhes interessar essa mera reflexão, com pitada de confissão; aos que já ultrapassaram a barreira dos “enta”, vamos confabular.
Os sonhos são próprios da mocidade; os projetos, da maturidade. Aqueles olham para frente e veem linhas imaginárias em um horizonte sempre infinito, esperando que, um dia, se tornem veredas; estes, porém, olham cada rastro que para trás fica, com a convicção própria de quem fez algo, talvez não o possível nem o desejável, mas o suficiente para levá-los à reflexão do quanto podiam ter ido além, e não foram.
Um caso: lá pelos 10 anos, vi-me em um uniforme branco, mãos cobertas de sangue formando uma segunda luva, um olhar de esperança na cura do paciente, uma atenção especial a quem sofria… Enfim, imaginei-me um profissional da saúde, bem-sucedido.
Hoje, não estou na saúde; sou da educação, mas procuro ser fiel aos ideais de um sonho. Não menos feliz, mas vivendo um sonho que não sonhei. Assim construí quem eu sou e a vida que tenho.
Se o tempo me desse uma nova chance para voltar aos 10 anos, talvez acontecesse a mesma coisa. Ou algo diferente… Ou nada acontecesse.
De fato, o tempo não volta “nem os sonhos aos corações voltam mais” – disse o poeta. No entanto, em plena casa dos “enta”, tenho a possibilidade de aliar sonhos a realidades, na fase dos projetos planejados. Isso quer dizer que continuo sonhando, porque “pro” é lançar-me; porém a baliza do meu projeto é a linha de conduta e traçado, do princípio ao fim.
Enquanto jovem, o tempo não tem limite à frente; agora nos “enta”, já aprendi a trabalhar com interstício, intervalos vividos.
Pode ser uma desculpa para explicar por que estou onde estou. Ao mesmo tempo, é uma bela “sacada” de que não posso parar de sonhar “sonhos possíveis”.
Verão de 2010.

18 de janeiro de 2010 por Prof. Dr. Josué Mendes | 3 Comentários »

Sempre aprendendo…

Alguém já deve ter dito que “aprender é atemporal”. Se não disseram, digo-o agora. E aprender com as pequenas coisas é mais surpreendente ainda.
Pois bem! Tirei o dia de hoje, um domingo véspera de feriado prolongado, para dormir sem preocupação com o relógio, fazer coisas que, em outra ocasião, preferiria pagar para alguém fazer por mim, rever amigos de muitos anos e olhar para cenários simples, mas reconfortantes.
Pude me dar ao luxo de fazer isso, porque venho de uma rotina de trabalho e estudo que faz qualquer pequeno mundo perder seu significado.
Pude, por exemplo, ouvir de alguém que “amar é atitude”; de outro: “quer ouvir um pássaro cantar? Plante uma árvore frutífera”; e mais uma: “me ajude porque preciso aprender a escrever”.
Essa última foi de quem está focada nas provas de vestibulares e coisa tal. Mas a segunda foi formidável, porque sempre eu acordo com o canto de alguns passarinhos que vêm à minha janela dizer que a “a vida segue”.
Quero aprender sempre… e estou aprendendo. Espero que essas lições me tornem uma pessoa melhor e mais atenta ao que a vida me quer ensinar.
Aprender independe do tempo, com certeza.

11 de outubro de 2009 por Prof. Dr. Josué Mendes | Nenhum comentário »

Greve dos professores

Nós, professores, temos plena consciência de que greve não são férias antecipadas nem ganho sem trabalho. Somos a ÚNICA categoria que repõe dias paralisados em greve, para que o aluno, ao final, tenha seus 200 dias letivos garantidos.
 
A questão é que o GDF quer que aceitemos sua proposta sem a garantia de que esses dias parados serão pagos. Para vocês terem ideia, temos crédito junto ao GDF de outras greves, até hoje sem solução. Em 2008, houve corte de 3 dias, ainda não pagos.
 
O GDF pode até descontar os dias parados agora, mas que diga que vai nos devolver quando da reposição. O problema é acreditar na palavra desse Governo, na atual situação.
 
Só para atualizar os dados: o GDF propôs 5% de aumento a partir de maio; pagar esse aumento dos meses de março e abril em 6 vezes; e esperar a consolidação das contas do governo para ver se pode alcançar o índice que nos é devido: 15,31%. Mas o GDF está recebendo da União, mês a mês, o repasse do Fundo Constitucional.
 
Por fim, sei que você não pode defender nossa greve; nem nós queríamos a greve. Mas não temos outra linguagem que faça o governo nos ouvir. A polícia civil deixa os bandidos um dia fora da cadeia, e toda a população fica em pânico; o médico cruza os braços, o paciente agoniza… E o professor não pode CUIDAR de seus interesses?
Eu gostaria de que esses pais que defendem o fim da greve também apareçam nas escolas para acompanhar nosso dia a dia.
 
Eu garanto que meus alunos não serão prejudicados; disse-lhes que, quando retornar, eles terão aula, como tinham antes da greve. E eles sabem que podem confiar na palavra de seu professor.
 
Não dê razão só ao GDF.
 
Josué Mendes: cuidando da Língua
josue@josuemendes.com.br
27 de abril de 2009 por Prof. Dr. Josué Mendes | 3 Comentários »